segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

FRENTE ÚNICA EM ITAPIRA

Nesta primeira postagem de 2016, trago à Luz do Conhecimento, alguns documentos importantes para a pesquisa sobre 1932 na cidade de Itapira. Em Fevereiro de 1932, portanto 5 meses antes do movimento armado, a população Itapirense já participava de comícios e palestras Pró-Constituinte. Nosso patrono, Francisco Vieira, como membro ativo do PRP também estava envolvido na organização deste evento. Como exemplo, apresento um panfleto distribuído em Itapira e impresso na Casa Brasil, em Itapira; um telegrama enviado a São Paulo sobre o comício e a primeira página do extinto  referente a um uma página do extinto "Folha da Semana", de propriedade de Pedro Ferreira Cintra, com uma matéria após o comício.
 
 
acervo APESP
TRANSCRIÇÃO:
POVO DE ITAPIRA
Os diretórios dos Patido Republicano Paulista e Partido Democrético locais, comemorando o dia 24 de Fevereiro e, em regosijo pela formação da Frente Única Paulista, que pleitea, tão somente, o reestabelecimento da autonomia do nosso Estado e a breve reconstitucionaliszação do país, resolveu realizar no dia 24 do corrente, às 18 horas (6 da tarde), na praça Bernardino de Campos desta cidade, um comício pró-Constituinte, para o que convidam todo o povo de Itapira.
Itapira, 21 de Fevereiro de 1932
Francisco Cintra; Francisco Vieira; Dr. Hortêncio Pereira; João Ribeiro Pereira da Cruz; Dr. José Secchi; Olegário Pereira da Silva; Orlando Gomes da Cunha; João Rodrigues Siqueira
Deixa de assinar o sr. Américo A. Pereira, por se achar ausente.
acervo APESP
TRANSCRIÇÃO: Telegrama enviado à "Liga Paulista Pró-Constituinte" - "Os diretórios dos Partidos Reublicano Paulista e Democráticos desta cidade solidários com patriótica atitude seus chefes constituindo frente única defeza autonomia estado e volta regimem legal revolveram promover grande comicio dia 24 correspondendo assim brilhante iniciativa dessa liga. Francisco Cintra Presidente Diretório Republicano, João Ribeiro Pereira da Cruz Presidente Diretório Democrático. ITAPIRA 21.02.1932".
 
acervo NMMDCI
TRANSCRIÇÃO:
 
Adesão à Liga Paulista Pró-Constituinte - Adesão do Centro de Comércio e Indústria Local - O comício do dia 24
 
Após terem comunicação oficial da celebração da Frente Única na capital do Estado, os chefes políticos locais srs. cel. Francisco Cintra, dr. Hortêncio Pereira e cel. Francisco Vieira, do P.R.P. e cap. João Ribeiro P. da Cruz, do P.D., se reuniram, para, também, aqui, tornar sensível esse acontecimento tão auspicioso para São Paulo, comunicando a sua aliança a Comissão Diretora do P.R.P. e Diretório Central do P.D.
Tendo sido resolvida a adesão à Liga Paulista Pró-Cosntituinte, foi aquela patriótica agremiação da mocidade acadêmica de S. Paulo dirigido o seguinte telegrama: "Liga Paulista Pró-Constituinte - Christovam Colombo, 1 -  São Paulo. -- Os diretórios dos Partidos Republicano Paulista e Democrático desta cidade, solidários com patriótica atitude seus chefes constituindo Frente Única defesa autonomia. Estado e volta regime legal, resolveram promover grende comício dia 24, correspondendo assim brilhante iniciativa dessa Liga. - (a) Francisco Cintra, presidente do Diretório Republicano. João Ribeiro P. da Cruz, presidente do Diretório Democrático.
Esse telegrama teve o melhor acolhimento da Liga que imediatamente respondeu agradecendo e prometendo fazer-se representar assim; no dia 24 do corrente, pelo trem do meio dia, chegaram a esta cidade os patrióticos acadêmicos de São Paulo, srs. Jorge Flaquer, Gabriel Gatti, Pedro Alcino Gomes e Ary Mattos, que foram recebidos na gare da Mogyana pelas figuras representativas da frente única local.
O Centro de Comércio e Indústria desta cidade, tendo aderio ao comício que ia se realizar naquele dia, distribuiu boletins convidando os seus associados e pedindo ao comércio em geral que fechasse suas portas para maior brilhantismo da manifertação que ia ser levada a efeito.
O COMÍCIO
Finalmente, á tardinha, o povo refletia na possibilidade de não ser Deus paulista e foi com satisfação geral que o tempo deu de melhorar e, si não houve uma tarde clara e bonita, houve pelo menos a constatação de que Deus estava conosco.
Após a passeata realizada pela banda Lyra Itapirense, o povo afluiu para a praça Bernardino de Campos.
Às 18 e meia horas, o sr. Jorge Flaquer falou em primeiro lugar, abrindo o comício; de suas palavras destacamos o seguinte: "Não viemos de São Paulo para vos falar da necessidade da Constituinte, pois dessa mesma necessidade, temos certeza, estaes sobejamente convencidos; viemos para vos pedir, que conosco sejais, como fostes nas demais causas, pioneiros desse santo movimento.
São Paulo neste instante atravessa o período mais crítico, a fase mais dolorosa de sua história, e, quando dissemos São Paulo dissemos Brasil, pois este tudo deve àquele. No entretanto, em recompensa, S. Paulo se vê espesinhado, usurpado nos seus direitos, tratado como presa de guerra, ele que desejava um Brasil onde todos pudessem viver melhor, que pretende um filho da terra por um estranho, que outra coisa não lhe prometera a não ser manter sob um regime de lei, nem sequer teve o direito de se governar como tiveram os demais Estados. É preciso para o bem do Brasil que São Paulo torne à liderança da Federação, quanto antes, e, isso só é possível pela Constituinte.
Encerrando o seu discurso, diz o seguinte: " Lembra-me um fato histórico francês, que peço permissão para vos relatar: na conflagração europeia, um marechal francês, vendo sua querida França na iminência de ser invadida pelo inimigo e, estando seus companheiros de trincheira quase todos sucumbidos, num ímpeto de patriotismo gritou: 'Debout les morts'  (De pé os mortos). Assim também nós paulistas precisamos, também  devemos gritar: 'De pé as tradições do heroico povo bandeirante".
Suas palavras foram encobertas pelos aplausos da grande assistência.
A seguir, o dr. Paulo Teixeira de Camargo, advogado na comarca de Mogi Mirim, leu um magnífico discurso em que analteceu com entusiasmo a obra construtiva do Partido Republicano Paulista, anatematizou com veemência os desmandos da ditadura e concitou entusiasticamente o povo a combater sempre pela constitucionalização do país.
Seu discurso foi vivamente aplaudido. Vamos fazer o possível para publicá-lo e o nosso próximo número.
Falou em 3º lugar o sr. Gabriel de Almeida Gatti; de sua eloquente oração destacamos os seguintes tópicos: "Como vós bem o sabeis, há três lustros passados, a Alemanha, o tufão loiro-a Alemanha, o flagelo da Europa-marchava sobre o mundo, fazendo escombros, amontoando ruínas! Mas, tocou na Bélgica, um povo pequeno que lhe saiu pela frente e ordenou com firmeza: 'Alto lá! Para trás! Aqui não se passa!'
E assim também nós, os moços da Faculdade de Direito de São Paulo, que é a huarida segura do mais acendrado patriotismo,, que é a expressão potencial do alevantamento cívico brasileiro, nós aqui estamos, a postos, na estacada, quais pigmeus do dever, para dar caça ao monstro da opressão!
Uma nação fora do império da lei, sem as garantias da sublimidade do direito e da justiça, é um povo vencido, indigno de si mesmo! Exijamos a Constituição! Exijamos a nossa paz! Exijamos o nosso direito! Defendamos a nossa dignidade, porque - oh povo de Itapira! - viver sob o palio sacrossanto da lei é ser livre, e, mover-se ao talante de um ou mais homens, é ser escravo!
Vibrantes aplausos partiram da assistência.
Em seguida o sr. Pedro Ferreira Cintra, diretor desta folha, leu seu discurso, em que, condenando veemente a maneira cheia de opróbios com que a ditadura vem tratando o Estado de S. Paulo, concita ao povo a cooperar sem descanso para a constitucionalização do país.
Falou em 5º lugar o sr. Pedro Aulicino Gomes. Do seu discurso, apanhamos o seguinte: "Imposta a ditadura, o povo brasileiro aceitou o sacrifício com a esperança de melhores dias. Mas, a revolução faliu pelo não cumprimento dos fins propostos. A autonomia do Estado esbulhada, gerou os imaginários e nefastos 'casos políticos'. E ressoando pelo norte, encontrou eco no sul a fórmula infame: S. Paulo o imperialista, não é digno de governar-se por si mesmo! Todavia, meus senhores, quer queiram, quer não, os nossos detratores gratuitos, nós fomos o valor bandeirante, nós  fomos a viga mestra da brasilidade, nós seremos o próprio Brasil.
Vivos aplausos coroaram as suas palavras.
Por último falou o acadêmico Ary O. Mattos, de cujo discurso conseguimos anotar os seguintes trechos: Há 16 meses, precisamente, que nos vimos esbugalhados da Constituição, desta carta que conferia a todos a regalias e prerrogativas de cidadãos livres, cidadãos verdadeiramente brasileiros. Com a queda da Constituição, senhores, foi em S. Paulo que bateram mais em cheio, as patas dos corcéis dos pampas, e onde soaram mais fortemente as clarinadas e os arautos do vencedor. Era preciso que de S. Paulo, donde partiram as patrióticas bandeiras de Paes Leme, onde ecoou o brado da redenção brasileira, no Ipiranga, onde se esboçaram as maiores campanhas civilistas, era preciso, disse, que de São Paulo partisse esse grande movimento em prol da reconstitucionalização do país.

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