segunda-feira, 11 de julho de 2016

SALVE 9 DE JULHO!

E por mais um ano, Itapira comemorou o 9 de Julho em sua tradicional homenagem aos combatentes mortos em Itapira, no Morro do Gravi. Com a presença de autoridades civis e militares, a cerimônia contou com apresentação da centenária Banda Lira Itapirense, executando marchas, o Hino Nacional e Paris Belfort. Quem também abrilhantou o evento com sua presença, foi o Grupo Escoteiro de Itapira.
Após a solenidade, uma caravana seguiu para a cidade mineira de Jacutinga, onde participou do lançamento da "Rota da Revolução de 1932", um roteiro turístico, idealizado pela administração de Jacutinga, juntamente com nosso amigo, o pesquisador Rodrigo Ruiz, a quem ofereço minhas saudações e meus sinceros parabéns por tão excelente trabalho!
O Núcleo MMDC de Itapira 'Cel. Francisco Vieira' sente-se honrado por ter sido convidado a participar deste lindo projeto, afinal, Itapira também faz parte da Rota turística.
Abaixo, algumas fotografias deste inesquecível 9 de Julho:
















terça-feira, 28 de junho de 2016

O MISTÉRIO DA CAPELA

Para todos que visitam o bairro rural de Barão Ataliba Nogueira, distrito de Itapira, logo atrás da antiga estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, pode-se encontrar, atualmente em meio a casas novas, uma antiga Capelinha... Para quem se aproxima ainda mais, por curiosidade... Se depara com lindas inscrições, preservadas por 84 anos. Assinaturas de soldados paulistas que, passando por ali, escreveram seus nomes e recados nas paredes de gesso da pequena capela. Mas o que poucas pessoas sabem, é o real e tenebroso motivo da construção daquele singelo prédio religioso, segundo depoimento do senhor Osmar Pereira da Silva, ao pesquisador Sérgio Freitas.


   Segundo informações encontradas em pesquisas de memorialistas e pesquisadores Itapirenses, montamos aqui um pequeno artigo sobre a origem da Capelinha do Barão, marco tão importante para a história dos combates em nosso setor durante a Revolução de 1932. Segundo nos conta Sérgio Freitas, a história contada pelo seu Osmar revela aspectos importantíssimos, no sentido de a compararmos com outra história publicada pela pesquisadora Odete Coppos em seu "O Livro da Festa do 13", e "Das Congadas de Itapira". Osmar contou em seu depoimento, ao ser indagado sobre a origem daquela capela: que a mesma fora erigida pelos moradores do local como preito a um crime ocorrido naquelas redondezas por volta de 1924 em plena Revolução. Naquele local foi enterrado um negro de nome desconhecido, que foi morto pela polícia após a ocorrência do crime ora citado.
Para entender um pouco o contexto deste crime, apresentamos as informações abaixo:
Habitavam na antiga Barão Ataliba Nogueira de então as famílias tradicionais tais como as famílias dos Pereira da Silva, dos Bredas, dos Lovo, dos Rosário etc. Como tipicamente acontece num lugarejo pequeno, todos se conheciam e apesar das boas amizades sempre existe algum melindre que acaba em desentendimentos, inimizades e até em vingança. Foi o que ocorreu com o sr. Natale Breda, bisavô materno do Osmar. Habitava por aquelas bandas um sr. de nome David Bocon que após ter sofrido um acidente e batido com a cabeça (em decorrência do contumaz vício alcoólico), ficou meio destrambelhado, segundo Osmar, e vivia frequentemente criando conflitos, brigas e arruaças nos bares da localidade. Numa dessas vezes, acabou sendo trancafiado atrás das grades da Cadeia Municipal em Itapira, por solicitação dos próprios moradores dali. Corria o ano de 1924 e com a chegada da revolução, os novos momentos políticos-revolucionários vieram favorecer os presos. Uma ordem do tenente Cabanas, motivado pela necessidade de arregimentar soldados para as suas forças de combate, libertou todos os que se encontrassem presos. David Bocon foi beneficiado também através desse informal decreto.
Cabanas tomou a cidade de Itapira e, descendo a Rua do Amparo (atual Rua da Penha), cerca de 200 homens desfilaram armados, tendo havido ali algumas escaramuças e muitos tiros. Foi nessa época, segundo Freitas, que o cel. Francisco Cintra, atuou energicamente e unido com o povo promoveu decisões de força e enfrentamento desse episódio bélico. Triunfaram os legalistas contra o movimento "tenentista" e revolucionário. Já no paço municipal o cel. seria destacado por essa enérgica atuação através da fala inflamada do general Alcides Amaral. Após o cerco e a tomada do prédio da Cadeia Municipal, Cabanas solta todos os presos, onde se incluía o David Bocon e também um outro preso de cor negra cujo nome permaneceu incógnito ou desconhecido desde então e que também pelas inúmeras ocorrências policiais vivia as voltas com a lei. 

Soldados de Cabanas em propriedade de Augusto Fracarolli, no bairro dos Forões, em Itapira. 1924.
Acervo Paulino Santiago.
 Segundo o sr. Osmar, quando soltos, David Bocon e o negro fugitivo, ambos após terem sido libertos, vendo-se livres, rumaram para Barão Ataliba Nogueira e ali adentrando, pelo meio do mato, puseram em prática o plano de David Bocon: vingança, ou seja, assassinar a Natale Breda, quem David julgava ter sido o mandante de sua prisão. Foi assim que na porta de um barzinho do referido bairro de Barão, culminou por desferir várias facadas em seu desafeto pondo-lhe fim a vida. Após o que, em fuga célere junto com seu comparsa negro, adentraram de retorno à mata circundante. A perseguição policial; o cerco e o espocar de alguns tiros puseram fim a vida do comparsa negro sem contudo até hoje terem encontrado o David Bocon. Esse negro que apenas acompanhava David acabou levando a pior. Esse "livrou-se", pelo menos é o que se sabe, do cerco e da turba armada que lhe perseguiu e nunca mais foi encontrado, segundo Freitas.
Sérgio Freitas ainda compara com outra versão e que foi publicada por Odete Coppos no seu livro já citado acima. Textualmente e conforme o título abaixo assim se refere Odete quando cita um personagem negro à página 60 da referida obra. Utiliza também nessa citação o texto da lavra do nosso famoso e querido articulista João do Norte. E prosseguem ambos:
"OUTRO FILHO DO CHICO PITADA" - "O João do Norte diz que o Anterão, foi filho do Chico Pitada; que era um negro elegante, de boa altura, e vestia-se 'caprichadamente'; mas que tinha seus deslizes... certas atrapalhadas... indolente e outras 'cositas' mais. Um dia o Anterão desapareceu, lá por volta de 1924, no quadriênio do Governo Artur Bernardes. Muita gente se lembra da revolução de 1924, do consumismo de pessoas, e foi num destes que o nosso conterrâneo Anterão desapareceu..."
Agora vejamos: Em 1924, um negro é morto nas matas de Barão Ataliba Nogueira e praticamente inocente do crime cometido, é enterrado a margem da estrada velha logo a entrada da Vila. Logo depois o povo constrói uma capela e passam a cultuar a lembrança do negro ali enterrado.
Por outro lado a Odete Coppos, citando o João do Norte, textualmente relata uma história e que comparativamente tem muito a ver com a relatada pelo Osmar.

Foto de Julho\Agosto de 1932.
 Podemos concluir sem muito medo de errar que é bem provável que o negro morto pelos policiais naquele ano revolucionário de 1924 tenha sido o Anterão, filho do Chico Pitada, já tão sobejamente conhecido de nós, figura esta que angariava fundos para a construção da antiga capelinha de São Benedito, tendo como característica marcante o seu famoso Oratório de Capelinha.


FONTES: Cidade de Itapira, Tribuna de Itapira, Odete Coppos, Sérgio Freitas, Jácomo Mandatto, João do Norte, Álbum de Itapira.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

FRENTE ÚNICA EM ITAPIRA

Nesta primeira postagem de 2016, trago à Luz do Conhecimento, alguns documentos importantes para a pesquisa sobre 1932 na cidade de Itapira. Em Fevereiro de 1932, portanto 5 meses antes do movimento armado, a população Itapirense já participava de comícios e palestras Pró-Constituinte. Nosso patrono, Francisco Vieira, como membro ativo do PRP também estava envolvido na organização deste evento. Como exemplo, apresento um panfleto distribuído em Itapira e impresso na Casa Brasil, em Itapira; um telegrama enviado a São Paulo sobre o comício e a primeira página do extinto  referente a um uma página do extinto "Folha da Semana", de propriedade de Pedro Ferreira Cintra, com uma matéria após o comício.
 
 
acervo APESP
TRANSCRIÇÃO:
POVO DE ITAPIRA
Os diretórios dos Patido Republicano Paulista e Partido Democrético locais, comemorando o dia 24 de Fevereiro e, em regosijo pela formação da Frente Única Paulista, que pleitea, tão somente, o reestabelecimento da autonomia do nosso Estado e a breve reconstitucionaliszação do país, resolveu realizar no dia 24 do corrente, às 18 horas (6 da tarde), na praça Bernardino de Campos desta cidade, um comício pró-Constituinte, para o que convidam todo o povo de Itapira.
Itapira, 21 de Fevereiro de 1932
Francisco Cintra; Francisco Vieira; Dr. Hortêncio Pereira; João Ribeiro Pereira da Cruz; Dr. José Secchi; Olegário Pereira da Silva; Orlando Gomes da Cunha; João Rodrigues Siqueira
Deixa de assinar o sr. Américo A. Pereira, por se achar ausente.
acervo APESP
TRANSCRIÇÃO: Telegrama enviado à "Liga Paulista Pró-Constituinte" - "Os diretórios dos Partidos Reublicano Paulista e Democráticos desta cidade solidários com patriótica atitude seus chefes constituindo frente única defeza autonomia estado e volta regimem legal revolveram promover grande comicio dia 24 correspondendo assim brilhante iniciativa dessa liga. Francisco Cintra Presidente Diretório Republicano, João Ribeiro Pereira da Cruz Presidente Diretório Democrático. ITAPIRA 21.02.1932".
 
acervo NMMDCI
TRANSCRIÇÃO:
 
Adesão à Liga Paulista Pró-Constituinte - Adesão do Centro de Comércio e Indústria Local - O comício do dia 24
 
Após terem comunicação oficial da celebração da Frente Única na capital do Estado, os chefes políticos locais srs. cel. Francisco Cintra, dr. Hortêncio Pereira e cel. Francisco Vieira, do P.R.P. e cap. João Ribeiro P. da Cruz, do P.D., se reuniram, para, também, aqui, tornar sensível esse acontecimento tão auspicioso para São Paulo, comunicando a sua aliança a Comissão Diretora do P.R.P. e Diretório Central do P.D.
Tendo sido resolvida a adesão à Liga Paulista Pró-Cosntituinte, foi aquela patriótica agremiação da mocidade acadêmica de S. Paulo dirigido o seguinte telegrama: "Liga Paulista Pró-Constituinte - Christovam Colombo, 1 -  São Paulo. -- Os diretórios dos Partidos Republicano Paulista e Democrático desta cidade, solidários com patriótica atitude seus chefes constituindo Frente Única defesa autonomia. Estado e volta regime legal, resolveram promover grende comício dia 24, correspondendo assim brilhante iniciativa dessa Liga. - (a) Francisco Cintra, presidente do Diretório Republicano. João Ribeiro P. da Cruz, presidente do Diretório Democrático.
Esse telegrama teve o melhor acolhimento da Liga que imediatamente respondeu agradecendo e prometendo fazer-se representar assim; no dia 24 do corrente, pelo trem do meio dia, chegaram a esta cidade os patrióticos acadêmicos de São Paulo, srs. Jorge Flaquer, Gabriel Gatti, Pedro Alcino Gomes e Ary Mattos, que foram recebidos na gare da Mogyana pelas figuras representativas da frente única local.
O Centro de Comércio e Indústria desta cidade, tendo aderio ao comício que ia se realizar naquele dia, distribuiu boletins convidando os seus associados e pedindo ao comércio em geral que fechasse suas portas para maior brilhantismo da manifertação que ia ser levada a efeito.
O COMÍCIO
Finalmente, á tardinha, o povo refletia na possibilidade de não ser Deus paulista e foi com satisfação geral que o tempo deu de melhorar e, si não houve uma tarde clara e bonita, houve pelo menos a constatação de que Deus estava conosco.
Após a passeata realizada pela banda Lyra Itapirense, o povo afluiu para a praça Bernardino de Campos.
Às 18 e meia horas, o sr. Jorge Flaquer falou em primeiro lugar, abrindo o comício; de suas palavras destacamos o seguinte: "Não viemos de São Paulo para vos falar da necessidade da Constituinte, pois dessa mesma necessidade, temos certeza, estaes sobejamente convencidos; viemos para vos pedir, que conosco sejais, como fostes nas demais causas, pioneiros desse santo movimento.
São Paulo neste instante atravessa o período mais crítico, a fase mais dolorosa de sua história, e, quando dissemos São Paulo dissemos Brasil, pois este tudo deve àquele. No entretanto, em recompensa, S. Paulo se vê espesinhado, usurpado nos seus direitos, tratado como presa de guerra, ele que desejava um Brasil onde todos pudessem viver melhor, que pretende um filho da terra por um estranho, que outra coisa não lhe prometera a não ser manter sob um regime de lei, nem sequer teve o direito de se governar como tiveram os demais Estados. É preciso para o bem do Brasil que São Paulo torne à liderança da Federação, quanto antes, e, isso só é possível pela Constituinte.
Encerrando o seu discurso, diz o seguinte: " Lembra-me um fato histórico francês, que peço permissão para vos relatar: na conflagração europeia, um marechal francês, vendo sua querida França na iminência de ser invadida pelo inimigo e, estando seus companheiros de trincheira quase todos sucumbidos, num ímpeto de patriotismo gritou: 'Debout les morts'  (De pé os mortos). Assim também nós paulistas precisamos, também  devemos gritar: 'De pé as tradições do heroico povo bandeirante".
Suas palavras foram encobertas pelos aplausos da grande assistência.
A seguir, o dr. Paulo Teixeira de Camargo, advogado na comarca de Mogi Mirim, leu um magnífico discurso em que analteceu com entusiasmo a obra construtiva do Partido Republicano Paulista, anatematizou com veemência os desmandos da ditadura e concitou entusiasticamente o povo a combater sempre pela constitucionalização do país.
Seu discurso foi vivamente aplaudido. Vamos fazer o possível para publicá-lo e o nosso próximo número.
Falou em 3º lugar o sr. Gabriel de Almeida Gatti; de sua eloquente oração destacamos os seguintes tópicos: "Como vós bem o sabeis, há três lustros passados, a Alemanha, o tufão loiro-a Alemanha, o flagelo da Europa-marchava sobre o mundo, fazendo escombros, amontoando ruínas! Mas, tocou na Bélgica, um povo pequeno que lhe saiu pela frente e ordenou com firmeza: 'Alto lá! Para trás! Aqui não se passa!'
E assim também nós, os moços da Faculdade de Direito de São Paulo, que é a huarida segura do mais acendrado patriotismo,, que é a expressão potencial do alevantamento cívico brasileiro, nós aqui estamos, a postos, na estacada, quais pigmeus do dever, para dar caça ao monstro da opressão!
Uma nação fora do império da lei, sem as garantias da sublimidade do direito e da justiça, é um povo vencido, indigno de si mesmo! Exijamos a Constituição! Exijamos a nossa paz! Exijamos o nosso direito! Defendamos a nossa dignidade, porque - oh povo de Itapira! - viver sob o palio sacrossanto da lei é ser livre, e, mover-se ao talante de um ou mais homens, é ser escravo!
Vibrantes aplausos partiram da assistência.
Em seguida o sr. Pedro Ferreira Cintra, diretor desta folha, leu seu discurso, em que, condenando veemente a maneira cheia de opróbios com que a ditadura vem tratando o Estado de S. Paulo, concita ao povo a cooperar sem descanso para a constitucionalização do país.
Falou em 5º lugar o sr. Pedro Aulicino Gomes. Do seu discurso, apanhamos o seguinte: "Imposta a ditadura, o povo brasileiro aceitou o sacrifício com a esperança de melhores dias. Mas, a revolução faliu pelo não cumprimento dos fins propostos. A autonomia do Estado esbulhada, gerou os imaginários e nefastos 'casos políticos'. E ressoando pelo norte, encontrou eco no sul a fórmula infame: S. Paulo o imperialista, não é digno de governar-se por si mesmo! Todavia, meus senhores, quer queiram, quer não, os nossos detratores gratuitos, nós fomos o valor bandeirante, nós  fomos a viga mestra da brasilidade, nós seremos o próprio Brasil.
Vivos aplausos coroaram as suas palavras.
Por último falou o acadêmico Ary O. Mattos, de cujo discurso conseguimos anotar os seguintes trechos: Há 16 meses, precisamente, que nos vimos esbugalhados da Constituição, desta carta que conferia a todos a regalias e prerrogativas de cidadãos livres, cidadãos verdadeiramente brasileiros. Com a queda da Constituição, senhores, foi em S. Paulo que bateram mais em cheio, as patas dos corcéis dos pampas, e onde soaram mais fortemente as clarinadas e os arautos do vencedor. Era preciso que de S. Paulo, donde partiram as patrióticas bandeiras de Paes Leme, onde ecoou o brado da redenção brasileira, no Ipiranga, onde se esboçaram as maiores campanhas civilistas, era preciso, disse, que de São Paulo partisse esse grande movimento em prol da reconstitucionalização do país.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

MORRE ANTÔNIO CESCON

Partiu hoje para a eternidade, de maneira trágica, aos 98 anos o nosso amigo, sr. Antônio Cescon. Testemunha ocular de dois grandes eventos históricos em nossa cidade. Suas descrições dos fatos ocorridos então em Itapira são de uma importância ímpar para nossa memória. Mas, quis o Criador chamar a Si a alma desse notável Itapirense, filho de colonos italianos, nascido na fazenda da família Job em 17 de junho de 1917. Mais tarde, já menino, vem morar com seus pais na então "Rua da Palha", hoje a Avenida Rio Branco, local onde seu pai teria um armazém no local onde atualmente está o prédio do Iki Lanches. Antônio Cescon viu a ocupação de Itapira durante a "Revolução de 1924", presenciou o terror trazido por soldados revoltosos,  vindos da capital paulista e comandados pelo lendário tenente João Cabanas, que, descendo a "Rua do Amparo" (atual Rua da Penha) tomaram o prédio da Cadeia Pública (hoje Casa da Cultura), além de prédios da prefeitura municipal.
exatos 83 anos, numa noite escura de um Agosto já agônico em 1932, vê a entrada de tropas federais fortemente equipadas numa Itapira abandonada à própria sorte pelos soldados paulistas, vencidos pela massa humana mobilizada por Getúlio Vargas em diversos estados do país para sufocar o levante de São Paulo. O então jovem Antônio, acompanhou vividamente todos aqueles momentos de caos e pavor.
O Núcleo MMDC de Itapira "Cel. Francisco Vieira" expressa aqui seus votos de pesares a toda a família do sr. Antônio e presta seus respeitos a essa incrível e querida figura humana que foi Antonio Cescon, um itapirense que soube preservar a memória de sua terra. Vai com Deus, amigo!
 
Antônio Cescon 
 
Antônio Cescon ao lado de autoridades Itapirenses durante a cerimônia do último 9 de Julho

TEXTO: Rodrigo Ruiz - Eric Apolinário

SP32: ESTE DIA NA HISTÓRIA 01.09.1932

Livro de ofícios da Prefeitura Municipal de Itapira


























Tropa da 4ª DI roçando o terreno para instalação do campo de pouso em Itapira

Identificação do campo de pouso federal em Itapira, na baixada do Cubatão

Avião federal pousando no Cubatão


Aeroplano Nº11

Major Juarez Távora e Cordeiro no aeroporto improvisado do Cubatão

Cel. G Esteves e Cap. Alkinder na Praça da Matriz em Itapira. 1.9.1932

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

SP32: ESTE DIA NA HISTÓRIA

Panorama do bairro do Cubatão em Itapira-SP- Década de 20   























" Galgamos a parte alta da cidade. De lá, sob as árvores imensas do Parque Municipal, desfruta-se um horizonte extenso, ocupado, no primeiro plano, por um cadeia de montanhas azuis, parte já no território de Minas Gerais. Nessa baixada, adivinhava-se o inimigo, invisível, entre os canaviais e bananais. Mantinham-no à distância, alguns tiros dos dois canhões 75, que o Ten. Roldão Barreiros mascarara entre o arvoredo do Parque Municipal. Nas encostas de cá que vão emendar-se com a baixada, estendia-se a linha de nossa infantaria, formada do batalhão "Rio Grande do Norte", dirigido pelo Cap. Abrantes, remanescentes do batalhão "9 de Julho", elementos da "Legião Negra", companhias da Força Pública, comandados pelo Major Adonias. De madrugada, houvera escaramuças, tendo uma patrulha inimiga se aventurado até as entradas da cidade. Repelida, os nossos guiados pelo senhor Francisco Vieira, que, nos "vais-vens", já havia arrebentado dois cavalos, chegaram a progredir bastante na baixada, voltando porém às proximidades da cidade" . 29.08.1932 - DIÁRIO DE AURELIANO LEITE. in "MARTÍRIO E GLÓRIA DE SÃO PAULO"

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A CASA DO SOLDADO DE ITAPIRA

     "... A exemplo de outras cidades, e tendo em vista a necessidade dos soldados que combatem neste setor de Eleutério, inaugurou-se, no dia 14 do correspondente, a Casa do Soldado, por iniciativa do nosso presado amigo tenente. Noé d'Oliveira Rocha." é o que dizia o jornal Cidade de Itapira em sua edição dominical de 21 de Agosto de 1932. A Casa do Soldado foi instalada no térreo do belíssimo sobrado do capitão João Ribeiro Pereira da Cruz, localizado à Rua Comendador João Cintra, que os "franqueou à generosa iniciativa". Segundo ainda o jornal "o centro do espaçoso salão ficou instalada a copa, dentro de um quadro fechado por balcões e que tem, em derredor, mesas para 4 a 2 pessoas.". 

Edifício que abrigou a "Casa do Soldado", demolido, em seu lugar foi construído a sede do banco Santander.

Edifício atual, onde existia o sobrado .

     Na mesma edição do Cidade de Itapira de 21 de Agosto de 1932 encontramos o relato da inauguração da Casa do Soldado: "Na sessão inaugural usaram da palavra o capitão João Ribeiro e o dr. Alcides Faro, juiz de Direito desta comarca, os quais realçavam a nobreza da finalidade visada pela nossa Casa do Soldado. A cerimônia estiveram presentes todas as autoridades civis e militares, então na cidade. Os seus benefícios não se têm feito esperar, pois que o livro de presenças acusa uma frequência média de 200 soldados por dia, e que ali vão saborear café, leite, pão com manteiga, sanduíches diversos, ovos quentes e cosidos, queijos, saladas de frutas, frutas diversas, doces e refrescos, que lhes são distribuídos, além de fósforos e cigarros.".
     Para o serviço aos soldados, foi constituída uma comissão, sob a direção do tenente Noé Rocha, nomeado para tal pelo Major dr. Dacio A. de Moraes, a qual era dividida em quatro turmas.

Vista aérea. Frente. 1970
=C=O=M=I=S=S=Ã=O=

Maria Sartório Warne; 
Iolanda Vergueiro;
Isaura Vieira;
Suzi Vieira Cintra;
Olympia Rocha; 
Francisca Munhoz;
Diva Magalhães;
Maria Amélia Bicudo;
Maria F. Ribeiro;
Alice Fonseca;
Maria José Guimarães;
Maria Bretas;
Maricota Fonseca;
Ernestina Rocha
Julieta Warne;
Vista aérea. Frente. 1970
Izanrita Meirelles;
Romilda Marella;
Stella Marcellina;
Elvira, Victorina;
Angelina Boretti;
Lucia Bagatella;
Carmella Avancini;


     "...Tem concorrido com donativos vários as seguintes pessoas: sras. d. d. Marcionilia M. Pereira, Ditinha Ramos, Alzira Pereira, Estella Boretti, Marcelina Boretti, Adalgiza Perira, Lydia Cintra, Ritóca Cano, Adolphina Pereira, Lili Silveira, Francisca Fonseca, Nenê Pereira da Fonseca, Francisca R. Perira, Izaltina Vieira, Alexandrina Vieira, Maria da Fonseca Pinto, Wilma Boretti, Maria Boretti, Noemia Cintra, Aulida Pereira Leitão, Cordalia Sarkis e Elvira Faro, Srs. Carlos Rodrigues Alves, dr. Alcides Faro, José Barboza da Fonseca, Virgolino de Oliveira, Luccas Schiratto e João Ribeiro Pereira da Cruz, além dos serviços profissionais graciosos dos srs. Amadeu Bosio, José Martelini e Fidelis Antônio Trani."...

Vista aérea. Lateral Esquerda. 1970

     Há no livro de presenças as impressões do cabo da 4ª Cia. do 7º B.C.P. sr. Jonas Rocha Leite Junior, natural do Estado de Alagoas, e concebido nos seguintes termos: "Tendo já percorrido quase todos os setores, tenho com a minha fraca inteligencia que em nenhum destes setores tenha sido tratado melhor do que na "Casa do Soldado" de Itapira. Viva São Paulo! Viva Itapira!".
     Também o soldado Adonis Galvão, aprisionado no combate de Lindoya e gostosamente aderiu à nossa causa, depois de conhecer-lhe a nobreza, escreveu estas linhas: "A visita a Casa do Soldado fui bem recebido pelas sras. e stas. e retirando-me saudoso, agradeço a magnanimidade do povo bravo desta cidade. Como paraibano, a causa paulista adiro de coração e transmito do povo de minha terra uma saudação aos Bandeirantes c-c Adonis Galvão, soldado do Regimento Policial do Estado de Paraíba do Norte".
     Também um grupo de soldados do glorioso 3º Batalhão 9 de Julho, da 3ª Cia. e que estão acantonados em Barão Ataliba Nogueira, tiveram as mais elogiosas palavras pela maneira verdadeiramente fidalga com que foram tratados na Casa do Soldado, quando ali estivaram por ocasião de uma folga, chefiados pelo sr. Renato Leone, fizeram-nos uma visita e nos pediram que externássemos os seus agradecimentos as pessoas que cuidam tão carinhosa quão inteligentemente da Casa do Soldado.

Fotografia da rua Comendador João Cintra, fotografia do final do séc. 19. Vemos o prédio à esquerda.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

COBERTURA DE INVERNO

     O  Museu Municipal Histórico e Pedagógico "Comendador Virgolino de Oliveira" recebeu ontem, 28.07.2015, mais uma maravilhosa doação! Trata-se de uma cobertura de inverno! Peça nunca antes vista neste museu e que à partir de agora, integrará o nosso acervo permanente. A peça foi doada pela Itapirense Maria Aparecida de Santos Oliveira. A cobertura pertenceu a seu pai, o sr. Joaquim Francisco dos Santos. Segundo a doadora, seu pai, que tinha 25 anos em 1932, recebeu ou comprou a peça diretamente de um soldado durante o período da guerra. Nenhuma informação sobre sua origem é conhecida, ela sabe apenas que seu pai morava em Minas Gerais, próxima à região de Ouro Fino e Pouso Alegre. Maria Aparecida ainda enfatizou que o sr. Joaquim, seu pai, frequentemente usava ainda a cobertura nas noites frias. Em contato com o Núcleo MMDC de Itapira "Cel. Francisco Vieira", e confiando em nosso trabalho de pesquisas e preservação da memória de 32, ela decidiu doar a peça ao Museu Histórico, para que seja devidamente preservada para as futuras gerações.


DETALHE:  Em sua etiqueta, encontramos a identificação de seu fabricante:  "A. J. Renner S.A. Indústria do Vestuário. A. Frederico Mentz, 1606. Porto Alegre. Indústria Brasileira". Isso nos leva ao nome de Antônio Jacob Renner (neto de imigrantes alemães, foi capitão do Exército Imperial e voluntário na Guerra dos Farrapos, era filho de Jacob Renner e Clara Fetter). Foi um empresário e político brasileiro e o fundador da Lojas Renner, uma das maiores redes varejistas gaúchas de vestuário. Foi um dos maiores empresários do Rio Grande do Sul. 
     Este modelo de cobertura era comum em ambos os lados da guerra. O que torna esta doação mais interessante e intrigante, é justamente sua etiqueta. Se confrontarmos esta informação com o que disse Maria Aparecida, podemos deduzir que a capa pertencia a um soldado federal, ousando ainda mais, seria de algum soldado gaúcho? 

Soldados Federais na Serra da Mantiqueira


Soldado Federal na Serra da Mantiqueira


Soldados Federais na Serra da Mantiqueira



Cel. Francisco Vieira
     A cobertura encontra-se em exposição no Museu Municipal Histórico e Pedagógico "Comendador Virgolino de Oliveira", juntamente com o acervo referente à Revolução Constitucionalista de 1932. Doação esta que enriquece ainda mais nossas pesquisas e nosso acervo referente a este fato histórico que marcou tanto a vida de nossa cidade!

                                           =I=M=P=O=R=T=A=N=T=E=

    A atitude da doadora Maria Aparecida, serve como exemplo! Exemplo de preocupação com a preservação da memória, não apenas de sua família mas da memória coletiva! A História da nossa terra! De Itapira! Esperamos que essa doação incentive a familiares que também procurem o Museu e façam suas doações! Uma vez incluso no acervo permanente do Museu, o artefato, a peça ou o documento, torna-se público! De todos nós! E certamente será preservado para as futuras gerações!